O que acontecerá com os filhos de casais LGBT?

Quando pessoas desagradáveis – para dizer o mínimo – dizem que a mãe é sapatão e o pai é viado, apontando isso como um demérito, como uma falha, como uma aberração, basta explicar tudo direitinho: que o problema é dos outros! E avisar e preparar os filhos para o que eles vão enfrentar. Afinal, quem, na infância ou na adolescência, nunca sofreu pelos amigos dizerem coisas horríveis sobre os pais? Tudo depende de como somos preparados para o enfrentamento e de como nossos pais nos apoiam. E isso serve para qualquer constituição familiar.

Há apenas algumas décadas havia um grande alarde sobre como filhos de casais inter-raciais enfrentariam tal situação e que isso seria um problema imenso. E, então, os conservadores – novamente para dizer o mínimo – de plantão, logo se arvoravam de defensores das crianças e se posicionavam contra relações inter-raciais. Imagine uma criança negra filha de pais brancos ou uma criança branca filha de pais negros?! Isso seria, certamente, traumático para a criança. Como adultos iriam impor isso a criaturas tão indefesas e que não escolheram isso?! Foram os pais que traçaram tal destino para a desamparada criança.

Tudo isso como se todos nós escolhêssemos os pais que queremos ter e jamais sofrêssemos agressões por causa deles e das mais variadas – pais gordos, pais velhos, pais baixos, pais carecas e mais uma infinidade de bobagens. Mas, obviamente, os tais autointitulados baluartes da família “natural” não eram racistas, pensavam somente no bem da criança! Exatamente como fazem agora: eles não têm nada contra os LGBTs, preocupam-se somente com as criancinhas do Brasil. Por isso nos tratam tão bem, com tanto respeito e consideração, a questão é somente o que iria acontecer com a criança.

Ora, eu não sei o que acontecerá com crianças criadas por casais LGBT, eu sei o que já está acontecendo. A criança criada por LGBT pode ter uma boa chance de aprender desde cedo que é tudo muito natural e, claro a relação com seus pais e/ou mães assim também o é. É a família que ela conhece e ama. Ela não julga, não acha errado, não vê coisa alguma de mais (nem de menos!).

Aqui na cidade do Rio de Janeiro, há escolas em que dependendo se é dia dos pais ou das mães, os alunos levam dois ou nenhum presente para casa. Simples assim. Sem traumas. Ninguém morre ou surta por isso. Na reunião de pais, revezam dois homens ou duas mulheres. Ao chegarem à escola, estes alunos são deixados por seus pais e/ou suas mães, todos sabem quem é quem e todos convivem muito bem, harmoniosamente e sem disfarces. E há muito mais acontecendo neste sentido do que alguns imaginam e acontece assim, desta forma tranquila e agora, em nossos dias. Acho que esta discussão, inclusive, já deveria ter sido superada, pois todos sabem – exceto se a criatura tiver passado as últimas décadas em uma caverna no aconchego do centro da Terra! – que o casal não determina a sexualidade da criança e que o fato da constituição familiar não estar alinhada aos moldes conservadores, não impede um lar amoroso e uma vida saudável.

É preciso, portanto, lutarmos contra as possíveis discriminações e nunca – jamais! – permitirmos o impedimento ao amor, ao afeto, à família. Por isso devemos nos unir e lutar cotidianamente: por nosso direito à felicidade, não somente a minha e a sua, mas a de cada um de nós tão diferentes e tão iguais em desejos.

@ivonepita

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