Quando uma quarta-feira, uma quarta qualquer, revela-se um monstro-preguiça devorador de suas vontades. E faz de você uma espectadora de si mesma.
Espectadora que olhando reconhece bem o que vê: alguém que abre mão de orgulhos bobos e outros expedientes para não ceder à tentação.
Tentação de não ter disposição alguma à reflexão, à compreensão ou à resiliência e de apenas brigar ou romper com quem insiste em intransigências.
Intransigências tão bem justificadas por quem a elas se agarra, mas tão incompreendidas por quem diante delas fica apenas com a tristeza e a decepção.
Decepção remediada apenas pela calma trazida pelo tempo, senhor dissipador de todo susto e toda mágoa, e que nos permite manter e cultivar o afeto.
Afeto que me toma pela memória os sentidos e me leva em viagens por falas, sorrisos, gestos, olhares e imagens por toda uma quarta, uma quarta qualquer.

Não acontece em qualquer quarta. E nem para quem quartas assim não mereça, hum?
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Certíssimo! ;)
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