O foda-se como afeto

– Você não precisa me buscar sempre em casa.
– Por que não?
– Eu não quero, eu fico desconfortável.
– Foda-se, eu que não vou ficar esperando horas até você conseguir um táxi!

– Você não tem que me trazer em casa toda vez que saímos.
– Por que não?
– Porque não, ora, eu pego um táxi!
– Foda-se, é mais um tempo que conversamos. Vou te trazer todas as vezes!

– Não, eu não quero que você me dê isso de presente!
– Mas você não está precisando?
– Sim, mas tenho essa aqui que ainda uso.
– Essa coisa velha, pequena e gasta?
– É, mas tenho conseguido resolver com ela, então, não precisa…
– Foda-se! eu vou te dar de presente porque eu quero!

– Eu lhe devo desculpas. Me desculpe mesmo.
– Pelo que você está me pedindo desculpas?
– Você me chateou, mas eu reagi muito mal e deixei você desconfortável.
– Ah, foda-se, era o que você estava sentindo na hora. Passou.

– Se não dá para nos vermos esta semana, fica para a próxima.
– Eu mudei minha agenda, a gente pode se ver amanhã!
– Mas você não tinha que chegar um dia antes, com calma?
– Foda-se! Eu que não vou ficar sem minha terapia semanal!

– Está chovendo, nosso programa furou.
– Como furou? por causa de uma chuva?!
– Mas, mas… carioca, chuva é igual a ficar em casa.
– Deixar de nos vermos por uma chuvinha de merda? Nem pensar! Foda-se, passo aí pra te pegar!

E me pegou,
de foda-se em foda-se,
em admiração e afeto.

@ivonepita

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